quinta-feira, 15 de abril de 2010

A menina que engravidou da música

Conta a lenda que ela andava meio solitária
Jogada em seus versos brincando com o isqueiro alheio
Sonhava de coração vazio e alma descontente
Foi em um de seus lapsos de carência que foi pega de surpresa
Em uma esquina da amargura foi abordada
O mais estranho: por uma tal música
Sim senhor,pode acreditar
O som fecundou além de seus tímpanos
Pode ultrapassar seu coração,o pulmão (asqueroso que só ele) e se alojou no últero
Uma espécie de esperma surreal
Uma voz de anjo Gabriel
Sem lhe arrancar o ímem ou qualquer gemido de prazer ou agonia
Um Espírito Santo cantarolado
Cheio de flores,desilusões e amores
Com arranjos de instrumentos que mal sabia o nome
Justamente em dia fértil
Quando a lua estava cheia
O ser foi fecundado
Além do amor,que no orgão involuntário que foi instalado
Diz a lenda que a pobre menina se apaixonou pelo genitor (ou genitora?)
De peito aberto e tachada de louca
Entregou-se a perdição
Ou salvação como muitos diriam
Carregando a criança de rosto nunca visto ou citado
Seguiu o caminho da música
Assim conta a lenda que por mim recontada.


Ellen
Lely
Ely

sábado, 10 de abril de 2010

Sentido do gosto

Gosto de sentir o gosto do não sentido
Gostar do sentido que não tem gosto
Gostar,sentir,provar
É possível sentir falta do que não se experimentou?
Um gosto de ausente
Um gosto de sentimento não provado
Um sentir que gosto
Gosto passado,vencido,estragado
Com sentido de presente (que gosto)
Embrulhado,enrolado com um laço
Largado ao gosto futuro
Que sentí,sentirei e sinto
Que conjugo com vossas pessoas
As amadas (gostadas ou sentidas?)
Precisas...
Gosto,sinto,paro
Sentirá gosto de fim
Sentiu o gosto de fim?
Gosto de fim sem sentido
Assim!



Ellen
Lely
Ely