Conta a lenda que ela andava meio solitária
Jogada em seus versos brincando com o isqueiro alheio
Sonhava de coração vazio e alma descontente
Foi em um de seus lapsos de carência que foi pega de surpresa
Em uma esquina da amargura foi abordada
O mais estranho: por uma tal música
Sim senhor,pode acreditar
O som fecundou além de seus tímpanos
Pode ultrapassar seu coração,o pulmão (asqueroso que só ele) e se alojou no últero
Uma espécie de esperma surreal
Uma voz de anjo Gabriel
Sem lhe arrancar o ímem ou qualquer gemido de prazer ou agonia
Um Espírito Santo cantarolado
Cheio de flores,desilusões e amores
Com arranjos de instrumentos que mal sabia o nome
Justamente em dia fértil
Quando a lua estava cheia
O ser foi fecundado
Além do amor,que no orgão involuntário que foi instalado
Diz a lenda que a pobre menina se apaixonou pelo genitor (ou genitora?)
De peito aberto e tachada de louca
Entregou-se a perdição
Ou salvação como muitos diriam
Carregando a criança de rosto nunca visto ou citado
Seguiu o caminho da música
Assim conta a lenda que por mim recontada.
Ellen
Lely
Ely
Profundo, bonito, simples e delirante. São estas as palavras com que consigo "definir" este texto poético levado como uma prosa.
ResponderExcluirInteressante e curiosa esta ideia de uma gravidez cuja o "pai" é o som, a música!
E este pulmão "asqueroso que só ele"? Estes mals hábitos fazem mal ao bebê de de descendência tão pura e sublime!
Enfim, me inspirei neste comentário!
Parabéns e continue assim!
Gabriel Rosa